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Ehud Olmert, primeiro-ministro Foi eleito em abril de 2006 pelo Kadima, partido criado no ano anterior por Ariel Sharon. Mas já ocupava o cargo como interino desde janeiro daquele ano, devido ao derrame cerebral que afastou Sharon do poder. Ainda interino, se irritou com a aceitação, por parte de Mahmoud Abbas, do líder radical Ismail Haniya como primeiro-ministro palestino e congelou o repasse de 50 milhões de dólares mensais à Autoridade Nacional Palestina (ANP). Meses depois, novo conflito contra os árabes: uma guerra contra o grupo radical libanês Hezbollah, da qual saiu abalado por não conseguir uma vitória convincente. O fraco desempenho diante do Hezbollah lhe rendeu impopularidade e a acusação – por parte de uma comissão formada pelo governo para avaliar a sua performance na guerra – de “falha grave de julgamento, responsabilidade e prudência”. O surgimento de denúncias de corrupção piorou a situação de Olmert, que renunciou ao posto de premiê em setembro de 2008. O político segue no poder, mas como líder de um governo de transição que será dissolvido após as eleições de fevereiro. Como outros da primeira linha do governo israelense, nesta guerra Olmert tem falado grosso contra o Hamas. Também criticou a comunidade internacional por se opor à invasão da Faixa de Gaza. Com vasta carreira política, que teve início em 1973, Ehud Olmert já foi prefeito de Jerusalém e por diversas vezes ministro. Nascido em 1945, em Binyamina, então Palestina, formou-se advogado e, antes de se eleger parlamentar, aos 28 anos, serviu ao exército israelense. | |
Shimon Peres, presidente Personalidade de destaque em Israel por ter recebido, em 1994, o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com Yitzhak Rabin, primeiro-ministro judeu assassinado, e com o histórico líder palestino Yasser Arafat. Otimista inveterado, Shimon Peres sonha com a paz na região. Em 7 de janeiro, 12º dia de conflito em Gaza, chegou a dizer que Israel estudaria a proposta de cessar-fogo feita pela França e pelo Egito, em contraste com as vozes mais furiosas de Israel, como a do ministro da Defesa, Ehud Barak, que prega uma guerra sem concessões. A função que exerce, no entanto, não possui o peso político necessário à ambição de promover a paz no Oriente Médio. Ao presidente são reservados poucos poderes, como o de indicar o deputado que pode se tornar primeiro-ministro e o de perdoar prisioneiros – desde que o ministro da Justiça concorde. O governo é conduzido de fato pelo primeiro-ministro, e Peres sabe disso. Com mais de 50 anos de política, ele foi premiê em duas ocasiões: de 1984 a 1986 e de 1995 a 1996. Foi também ministro das Relações Exteriores, da Defesa, das Finanças, da Informação e dos Transportes. Sua carreira foi feita no Partido Trabalhista, do qual era considerado um pilar até se juntar ao Kadima. Peres sabe também que a política não é uma linha reta. Quando estava à frente da Defesa, na década de 1970, apoiou as primeiras colônias judaicas na Cisjordânia ocupada. E nos anos 1990 adquiriu projeção internacional por contribuir com as negociações para o acordo de Oslo, assinado por Yasser Arafat em 1993. Passou então a ser chamado de “pomba da paz”. Nascido em 1923, na Polônia, Shimon Peres aportou no Oriente Médio com a família em 1934. Crescido no movimento sionista jovem HaNo'ar Ha'oved, atua politicamente desde cedo. | |
Ehud Barak, ministro da Defesa Ocupa o cargo desde junho de 2007. Assumiu a pasta pouco após sua eleição para líder do Partido Trabalhista e anos depois de sua atuação como premiê do estado judeu, função que exerceu de 1999 a 2001, antes de Ariel Sharon. Na atual função, vem exibindo firmeza. Estreou anunciando que não economizaria medidas para garantir a segurança de Israel e, no início do conflito contra o Hamas, falou em uma “guerra sem trégua” contra o grupo islâmico. Ele pode estar em busca, hoje, de compensar as concessões feitas aos palestinos em 2001, para muitos o mais ousado plano de paz já apresentado por um governo israelense. Plano que custou caro, aliás. O então líder palestino Arafat não aceitou as concessões oferecidas por Barak e apoiou a segunda intifada, derrubando o premiê israelense e fortalecendo o Hamas, contra quem Barak agora dirige todos os seus esforços. Militar mais condecorado da história de Israel, Ehud Barak nasceu em 1942 no kibutz Mishmar Hasharon, filho de imigrantes poloneses que chegaram ao Oriente Médio no começo da década de 1930. Recrutado pelo exército aos 18 anos, assumiu o nome hebraico Barak – seus pais eram Brog – e construiu uma sólida carreira militar, chegando a chefe do Estado Maior das Forças Armadas, cargo que exerceu entre 1991 e 1995. Foi neste ano que entrou na política, pelas mãos de Yitzhak Rabin, que o nomeou ministro do Interior. Após o assassinato de Rabin, em novembro de 1995, Barak se tornou chanceler. | |
Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores Escolhida pelo presidente Shimon Peres para encabeçar o novo governo, a ministra das Relações Exteriores de Israel pode se tornar a segunda primeira-ministra de Israel, depois de Golda Meir, que governou de 1969 a 1974. Para tanto, terá de derrotar nas eleições de fevereiro o ex-premiê Benjamin Netanyahu, um conhecido linha-dura no conflito com os palestinos. É nisso, apostam analistas, que está de olho a líder do partido Kadima quando declara, por exemplo, que a ofensiva israelense está abalando o Hamas e que a guerra só vai acabar quando a facção palestina deixar de ser uma ameaça para os judeus. É isso que foca ao rejeitar os apelos de trégua da União Européia: ela tenta mostrar força a seus eleitores, calando seus críticos, que a acusam de curta experiência política e de fraqueza em questões de segurança. Alguns chegam a citar, de forma depreciativa, suas boas relações com a americana Condoleezza Rice, que em sua gestão como Secretária de Estado usou de certa suavidade no trato com os palestinos. Entre seus críticos, já figurou até Ehud Olmert, que disse temer pelo futuro de Israel, caso Livni chegasse ao poder. “É incapaz de tomar decisões”, afirmou, dias antes de sua renúncia. Livni, ao contrário, havia se mostrado decidida meses antes, ao pedir a saída do premiê, após a divulgação do relatório oficial com os erros cometidos por Israel na guerra contra o Hezbollah. Filha de uma família de direita ultranacionalista, Livni atuava pelo Likud, mas em 2005 passou ao centro, aderindo ao partido de que hoje é a principal voz. A chanceler nasceu em 1958, em Israel, se formou advogada e chegou a tenente na carreira militar. Na política, ascendeu vertiginosamente com a ajuda de Ariel Sharon, fundador do Kadima, que a catapultou para o topo do partido. | |
Gaby Ashkenazi, chefe do Estado Maior das Forças Armadas O general reformado Gaby Ashkenazi se tornou chefe de Estado Maior com a missão de reerguer o exército de Israel, em crise desde a guerra contra o Hezbollah, em meados de 2006. Era um retorno: Ashkenazi havia se afastado por dois anos para comandar o Ministério da Defesa. A estratégia parece ter surtido efeito. O ex-militar tem mostrado satisfação com os progressos das forças israelenses na Faixa de Gaza. “Nossos soldados atuam perfeitamente, progridem segundo os planos”, declarou Ashkenazi em 5 de janeiro, quando a ofensiva terrestre já tinha se iniciado. Formado na Academia Militar israelense e na Academia Militar de Fuzileiros Navais dos EUA, ele acumula vasta experiência de farda. Aos 53 anos, tem 33 de serviço ativo. Alistou-se em 1972, e já no ano seguinte lutava na Guerra do Yom Kippur. Em 1978 e em 1982, esteve presente às invasões do Líbano por Israel. Em 1988, foi nomeado comandante da Brigada Golani, se tornando um alto oficial e, em 1998, passou a chefe do Comando Militar Norte, responsável pela fronteira com o Líbano. Em maio de 2000, efetuou a retirada de Israel do sul do Líbano, ocupado por 18 anos, embora julgasse que a ação poderia fortalecer o Hezbollah. Ashkenazi possui ainda graduação em Ciências Políticas e um título superior de Harvard em Administração de Empresas. | |
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