terça-feira, 14 de abril de 2009
Ministro da Educação tira dúvidas de vestibulandos sobre o novo Enem, que poderá substituir o vestibular nas federais
RIO - Tensão nas salas de aula de colégios e cursinhos. Na luta contra o fim da decoreba e pela melhoria do ensino médio, o ministro da Educação, Fernando Haddad, comprou briga com o atual modelo do vestibular e propôs mudar tudo nas seleções da universidades federais. A discussão ainda está longe de acabar, e, por enquanto, tudo está em suspenso nas coordenações de concursos pelo país. Mas as provas do novo modelo, chamado de Sistema de Seleção Unificada, já têm data marcada: serão em 3 e 4 de outubro, um fim de semana.
O que você acha da proposta do MEC de substituir o vestibular das univesidades federais pelo Enem?
A ideia do MEC é que o teste, nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), selecione os candidatos das federais que decidam aderir ao novo formato. Os estudantes poderão optar por cinco cursos de uma ou até cinco universidades, que terão o direito de escolher as notas de corte para os cursos e poderão realizar uma segunda etapa. Caso a nota do exame não seja suficiente para garantir vaga nas opções iniciais, os candidatos terão liberdade para fazer novas escolhas. (Leia mais: Modelo de vestibular parecido, outra realidade)
" Prova exigirá raciocínio e reflexão (Fernando Haddad) "
O resultado da parte objetiva do exame está previsto para 4 de dezembro; o final, incluindo a redação, para o dia 8 de janeiro de 2010. As datas farão com que as universidades participantes alterem de forma drástica o seu cronograma de provas, o que preocupou diversos reitores presentes numa reunião com o MEC, na semana passada. A maioria é favorável à mudança, que ainda terá de ser aprovada pelos conselhos universitários de cada instituição antes de ser adotada. (Saiba também: O nosso vestibular, em linhas gerais)
Principais atingidos pela mudança, os vestibulandos foram, mais do que nunca, tomados pelas dúvidas. Para tentar esclarecer algumas delas, a Megazine pediu que alunos de dois colégios do Rio fizessem perguntas, que foram respondidas por Haddad. Veja abaixo o que disse o ministro.
Quais serão, na prática, as mudanças feitas para que o Enem substitua o vestibular? (André Namitala)
FERNANDO HADDAD: O novo Enem terá 200 questões, sendo 50 de cada área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias, além de uma redação. O exame será aplicado nos dois dias de um fim de semana.
Jovens fazem perguntas ao Ministro da educação sobre novo sistema de vestibular.
Quais serão os conteúdos abordados na prova, uma vez que cada parte do país privilegia determinados aspectos das disciplinas? (Mariana Sepúlveda)
HADDAD: Os conteúdos serão os mesmos já abordados no ensino médio, que vão exigir raciocínio e reflexão com o enfoque interdisciplinar e contextualizado típico do Enem. Não mais haverá a cobrança de conteúdos específicos e fórmulas. (Leia também: Novo Enem também poderá ser usado por particulares)
Quantas vezes por ano o exame será realizado? (Maurício de Souza)
HADDAD: Num primeiro momento, o MEC está pensando em realizar a prova uma ou duas vezes ao ano. (Veja também: MEC propõe mudança para outubro)
Quanto custará a inscrição? Ela será cobrada cada vez que fizermos a prova? Ou haverá uma taxa única? (Carolina Lupe)
HADDAD: A inscrição terá o mesmo valor do Enem 2008, que foi de R$ 35 - lembrando que estão isentos do pagamento da taxa de inscrição alunos do terceiro ano do ensino médio de escolas públicas, estudantes que apresentem declaração de carência com atestado da escola e egressos, ou seja, pessoas que concluíram o ensino médio em anos anteriores e que não tiverem condições de pagar a taxa de inscrição, desde que preencham e assinem a declaração de carência impressa no verso da ficha. Para os outros casos, a taxa será cobrada a cada vez que o vestibulando se inscrever na prova. (Saiba mais: Haddad: 'Cursinho pré-vestibular é uma anomalia')
A aplicação de uma prova única para a seleção nas universidades federais não estaria favorecendo regiões do país com maior qualidade de ensino? Qual a proposta do governo para resolver esse problema? (Luiza Fernandes)
HADDAD: A mobilidade é uma das grandes vantagens oferecidas pelo novo formato do vestibular. O novo sistema oferece a oportunidade a mais estudantes de concorrer a mais vagas por todo o país. No mundo todo funciona dessa maneira. Para o MEC, grande parte dos alunos terá confirmada sua primeira opção de curso e instituição de ensino, que geralmente será na escola mais próxima do vestibulando. Além disso, com o Plano de Desenvolvimento da Educação, o MEC já está trabalhando para garantir educação de qualidade para os jovens de todo o país, diminuindo as desigualdades regionais.
Em relação às redações, devemos nos focar mais no modelo do atual Enem ou no que propõem, de forma geral, os vestibulares das universidades federais? (Maria Isabel Assis)
HADDAD: A redação do novo Enem deverá se manter no modelo do atual Enem.
Segundo o MEC, o vestibular não favorece candidatos que não têm condições financeiras de se deslocar pelo território brasileiro para fazer provas. Antes de adotar esse novo modelo, as universidades não deveriam reformar suas estruturas e alojamentos? (Patrícia Pimentel)
HADDAD: O índice de mobilidade dos vestibulandos no Brasil é muito pequeno. Estudos do MEC indicam que é de 0,04%, enquanto em países desenvolvidos chega a 20%. E, para garantir não só o acesso de jovens que saiam de suas cidades, mas também sua permanência, o MEC prevê aumentar verbas para ajudar a financiar moradia, alimentação e transporte aos alunos que necessitarem.
Como ficam as cotas nas universidades com esse novo processo seletivo? (Nicolli Luro)
HADDAD: A adoção de um sistema unificado não inviabiliza a adoção de mecanismos de ação afirmativa ou de outros processos alternativos de seleção de estudantes, como as avaliações seriadas oferecidas por algumas instituições.
Quais são as mudanças esperadas nas escolas públicas e privadas, que deverão se adaptar ao novo método de ingresso nas universidades? Qual a real intenção do governo ao adotar esse novo vestibular? (Lucas Nogueira e Gabriel Magnam)
HADDAD: O que o MEC pretende é contribuir para um ensino médio com mais conteúdo e menos decoreba, mais voltado para o conhecimento e a capacidade de compreensão e análise por parte dos estudantes. Livre das amarras de um vestibular que não apura o conhecimento, mas a capacidade de resposta dos candidatos.
Com uma primeira etapa unificada, a segunda terá um peso maior na seleção das universidade poderá ficar mais difícil. Sendo assim, a nova versão do exame vai, de fato, facilitar o acesso? (Rodrigo Mafra)
HADDAD: A grande novidade é que, depois de realizar o Enem, o candidato poderá simular sua classificação no Sistema de Seleção Unificada. Diariamente, durante o tempo que as inscrições estiverem abertas, essa simulação será atualizada na internet, com base nas inscrições dos demais candidatos. Com o modelo atual de vestibular, muitos jovens de baixa renda nem sequer conseguem prestar o exame ou o fazem apenas em uma ou duas instituições, porque não têm como bancar os custos de deslocamento. Com o exame nacional, passam a disputar o total de vagas disponíveis. E terão que se deslocar apenas em situações especiais. Portanto, o aluno de baixa renda teria que se deslocar eventualmente, mas com uma perspectiva concreta de aprovação.
O senhor não concorda que, neste momento de crise, o dinheiro público que será gasto para pagar às universidades federais o valor atribuído às inscrições deveria ser aplicado na melhoria do ensino de base, elevando assim o nível do sistema como um todo? (Thainá Pinnola)
HADDAD: O Enem não é pago para a universidade. Os alunos de escolas públicas não pagam o Enem. Os que pagam têm uma tarifa muito pequena, de R$ 35, e esse recurso será empregado no custo da prova. Isso não guarda relação com a melhoria da qualidade. Isso está sendo feito por meio de outros projetos e programas que têm esse objetivo, como é o caso do Reuni.
Essa medida não poderia ser proposta para o próximo ano, já que os colégios não tiveram tempo de se preparar para tais modificações? (Daniela Rodrigues)
HADDAD: O MEC entende que não há necessidade de mudança de preparação para o novo Enem. Quem está preparado para o vestibular, em tese, está preparado para essa nova prova.
Como será a segunda etapa nas universidades? (João Guilherme Coelho)
HADDAD: Cada universidade aplicará a seleção de acordo com regras próprias, decididas por seus conselhos superiores. Outra novidade é a possibilidade de ponderação dos pesos de cada prova. Assim, as universidades que resolvam aderir podem optar ou não por realizar uma segunda fase, ou apenas realizá-la para os cursos mais concorridos e aqueles que necessitem de provas específicas.
essa matéria foi retirada do saite do globo 14/04/2009.
O Enem, as mudanças no vestibular e a geração concurso
Triste fiquei ao verificar que a mudança consiste em passar de uma prova para duas (Enem). Será que isso resultará em alguma mudança concreta (além, claro, sobre quem receberá o dinheiro das inscrições)?
Nosso ministro diz ter se inspirado no modelo americano ou "Scholastic Aptitude Test / Scholastic Assessment Test" (SAT). Se for essa nossa fonte de inspiração, que percebamos que o modelo americano vai muito além do SAT (que alias é realizado 7 vezes no ano e, em caso de nota baixa, o aluno tenta novamente, ficando com a nota mais alta):
O SAT foi reformulado em 2005 passando a ter três etapas somente: a seção de leitura crítica, anteriormente denominada seção verbal, que testa a capacidade de compreensão de textos de nível superior escritos em inglês; a seção de matemática, que avalia a capacidade de analisar e resolver problemas - habilidades aprendidas na escola e que serão necessárias na universidade - e abrange questões que envolvem fórmulas de álgebra, figuras geométricas, probabilidade e análise de dados; e, por último, redação, que abrange questões de múltipla escolha para avaliar o uso do inglês formal escrito. Inclui-se também uma breve dissertação.
Depois é realizado o SAT-Subject Tests (Testes de matérias específicas do SAT), que são exames de uma hora de duração que avaliam o conhecimento do estudante em relação a uma determinada matéria acadêmica, e sua capacidade para aplicar tal conhecimento. Existe um total de 20 testes de matérias, tais como francês, química e história geral.
Falta ressaltarmos algo muito importante: para se entrar em uma universidade americana, a nota do SAT não é única. Tão importante ou mais são as outras etapas, como a entrevista com o aluno, cartas de recomendação de professores, seu currículo escolar, sua participação em atividades extras-curriculares (se esteve em grêmio, esportes, banda, coral). Muitas vezes um bom esportista, ou um aluno com bom projeto de ciências numa feira científica, tem mais chances de ser aceito numa universidade do que alguém com boas notas no SAT.
Outro agravante da nossa "inspiração" é a diferença na escolha profissional. No modelo americano, o jovem entra no "college". Os dois primeiros anos de faculdade ("college") são conhecidos como "freshman" e "sophomore". Algumas escolas exigem que os "freshmen" e "sophomores" façam cursos em diferentes áreas do conhecimento: literatura, ciências, ciências sociais, artes, história e assim por diante, dando ao jovem um conhecimento sobre as possibilidades de carreira e disciplinas da universidade. O terceiro e quarto ano são os "upperclassmen", onde um professor-orientador que ensina na área de especialização do estudante ("major") é designado para cada estudante com o propósito de ajudá-lo a selecionar seu programa de estudo, que é quando o jovem realiza realmente sua escolha profissional.
No modelo "abrasileirado", este jovem terá que escolher sua profissão assim que tiver realizado o Enem para escolher um curso. Imaginemos quantos jovens que desejam medicina irão optar por enfermagem ou biologia, por terem somente pontos para isso, e medo de tentar o Enem novamente seis meses depois. Isso já é uma realidade nos consultórios de orientação, pois nossos clientes se baseiam pela famigerada relação candidato/vaga. Imaginem esse mesmo adolescente de posse de sua nota no novo Enem e sabendo para quais cursos pode entrar e quais não pode. Os sonhos darão lugar à praticidade.
Se pretendemos nos inspirar pelos bons resultados da educação superior americana em relação à escolha profissional, que criemos um ingresso ao vestibular flexível, com entrevista, análise de currículo, carta de recomendação dos professores do ensino médio (uma boa forma de valorizar os mestres), entre outras boas idéias americanas, e fujamos da preferência nacional pelo teste de avaliação, que pouco avalia em termos profissionais.
Uma geração que mede sua capacidade somente através de provas só saberá obter resultados dessa forma. Uma prova disso é o que chamo "geração concurso", jovens com pânico do mercado de trabalho, e que sonham com uma prova (concurso público) que garanta a eles estabilidade e segurança.
O Brasil precisa de jovens empreendedores, que saibam trabalhar em grupo, tenham liderança, saibam fazer uma reunião. Só teremos isso em nosso mercado de trabalho com mudanças significativas no ingresso às universidades, e não com uma cópia "mal feita" da parte menos significativa do modelo anglo-saxão.
essa matéria foi retirada so saite o globo 14/04/2009.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Novo Enem marcado para 3 e 4 de outubro
POR NATALIA VON KORSCH , RIO DE JANEIRO
Rio - Aposta do Ministério da Educação (MEC) para unificar o acesso às universidades, o exame que substituirá o Enem já tem data marcada: 3 e 4 de outubro. O novo modelo pode ser adotado pela UFRJ na seleção deste ano, mas a adesão deve ser aprovada pelo Conselho Universitário da instituição. O MEC espera a participação de cinco milhões de estudantes — ano passado, três milhões se inscreveram no Enem.
O teste será composto por 200 questões de múltipla escolha e uma redação. Até o ano passado, o Enem tinha 63 perguntas. Outra novidade é a divisão da prova em dois dias.
Após a divulgação dos resultados, o inscrito terá acesso a um sistema on-line onde poderá se candidatar a até cinco cursos — na mesma instituição ou em diferentes universidades. Essas escolhas poderão ser alteradas. A interface será semelhante à do ProUni.
“Na prática, o estudante concorre a todas as vagas das universidades federais. Se ele perceber que não tem chances em um curso específico, ele pode migrar”, explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad. É possível ser aprovado para a sua segunda opção, de acordo com a sobra de vagas.
O MEC ressalta, porém, que o sistema só poderá ser adotado se a universidade abrir mão do processo de seleção próprio — como segunda fase. Há a alternativa de adotar o resultado do Enem, mas sem acesso ao mapa nacional de vagas.
A Unirio já adota esse processo, e a UFRJ também poderá seguir pelo mesmo caminho. Mas o reitor Aloísio Teixeira pondera que talvez não haja tempo para aprovar a adesão.
ESSA INFORMAÇÃO FOI RETIRADA DO SAITE O GLOBO NO DIA 10.04.09 às 01h07
Mec esclarecerá dúvidas de reitores sobre o novo vestibular
Brasília - O Mec (Ministério da Educação) divulgará um documento nesta quarta-feira para esclarecer as principais dúvidas dos reitores das universidades públicas federais que participarão no novo vestibular unificado, previsto para 2010.
A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), recebeu, na segunda-feira, dia 6 de abril, em sua sede, em Brasília, o ministro da Educação, Fernando Haddad, a secretária de Educação Superior Maria Paula Dallari Bucci, o secretário executivo do Ministério da Educação (MEC) José Henrique Paim e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Reynaldo Fernandes.
O objetivo da reunião foi justamente debater sobre o novo processo seletivo proposto pelo Mec. Um dos pontos mais questionados pelos reitores foi a questão da segurança. Outra foi quanto ao monitoramento dos chamados "pilotos", pessoas que fraudam os exames realizando a prova no lugar de terceiros.
Mas o ponto que mais precisa de esclarecimentos, para a Andifes, é como o candidato fará a opção pela universidade que vai estudar. O Mec afirma que com a prova de acesso à universidade unificada, estudantes poderão migrar por todo o território.
Alguns reitores lembraram a preocupação com as disparidades regionais existentes entre as universidades, temerosos de que estudantes de outros estados ficassem com a maioria das vagas, em detrimento da comunidade regional. Tanto o ministro quanto o presidente do Inep afirmaram que as provas selecionam de forma parecida, sejam os vestibulares tradicionais ou o Enem. Quanto a este ponto, o ministro acredita que as cotas sociais também contribuem para diminuir as diferenças.
Processo seletivo
O ministro Haddad explicou que na nova forma de seleção os candidatos farão a prova do Enem, e de posse delas, o estudante aplica, online, sua pontuação para o curso e universidade desejados, sendo que o número de opções deve ser cinco. Dessa forma, o ministro acredita em uma maior mobilidade dos estudantes.
Outra premissa da Andifes, atendida pelo Mec, é a participação da Associação na construção e organização do processo, com colaborações inclusive técnicas sobre as provas.
O tempo para a implantação da mudança também é preocupação recorrente entre os reitores. Como o vestibular é um processo complexo e demorado, muitos dos editais já estão em andamento. O ministro acredita que a mudança pode ser aplicada já no processo seletivo de 2010, principalmente para as universidades que decidirem adotar o Enem como fase única de seleção.
Alguns reitores ponderaram a possibilidade de fazer uma segunda fase, por exemplo. Neste caso, o ministro concorda que é mais difícil, devido ao tempo, pois o Inep teria que divulgar os resultados em tempo hábil para a continuação do processo seletivo, mas garante que é uma ideia a ser considerada.
Para lembrar
No dia 11 de março, o ministro Fernando Haddad lançou a proposta de mudança no acesso às universidades pela primeira vez em solenidade na Andifes. Depois, convidou a diretoria executiva da associação para uma reunião no Mec, no dia 25 de março, quando explicou a sua idéia. No dia 30, as diretrizes da proposta foram enviadas à associação formalmente. A partir daí a Andifes repassou o documento elaborado pelo ministério às universidades e marcou o início da discussão para a próxima reunião do Conselho Pleno da instituição.
ESSA INFORMAÇÃO FOI RETIRADA DO SAITE O GLOBO DO DIA 07.04.09 às 16h00
quinta-feira, 9 de abril de 2009
CONEXÃO G
O programa Conexões Urbanas, do canal a cabo Multishow, exibe hoje o programa sobre a homofobia e no país e vai a fundo na questão. Trata também as segregações sociais brasileiras. O apresentador José Júnior visita os representantes da ONG Conexão G, no Complexo da Maré no Rio de Janeiro.
Com a indagação “Como é ser gay na periferia”, ele mostra desde jovens lésbicas, gays e travestis. A proposta do programa é levantar iniciativas para diminuir o preconceito e a violência a homossexuais em lugares carentes.
Uma das entrevistas é com o travesti Letícia Barbosa, 26, que fala do drama de não ser o que gostaria de ser. Como não consegue arruar emprego “digno”, como diz, precisa se prostituir, e de alguns casos de crime contra os travestis que fazem ponto.
Numa linguagem franca, José Júnior questiona se é mito os clientes dos travestis fazerem o papel ativo na relação sexual, numa proporção de oito a cada dez. O programa mostra também os simpatizantes que aderiram a causa do grupo em prol de políticas públicas para o segmento LGBT.
O adolescente gay Mauro Lima, vice-presidente do Conexão G, assumido para a família, demonstra ainda a discriminação velada dentro de casa. Segundo Mauro, a família aceita com restrições. Segundo ele, se tiver alguma festa de família ela não pode levar o namorado por uma questão de respeito.
“Para eles, estou desrespeitando. Nós, apesar de sermos gays, temos que respeitar o espaço do hétero, mas até que ponto quem afronta quem? Se somos nós que afrontamos essa sociedade hétero ou essa sociedade hétero que dricrimina a gente?”, questiona Mauro. A socióloga ativista e lésbica Sílvia Ramos entremeia as demais entrevistas com sua posição pessoal e analítica. Ela foi casada por duas vezes com homens, e vive há 18 anos com sua companheira.
videos da entrevista...