Jovens fazem perguntas ao Ministro da educação sobre novo sistema de vestibular.
RIO - Tensão nas salas de aula de colégios e cursinhos. Na luta contra o fim da decoreba e pela melhoria do ensino médio, o ministro da Educação, Fernando Haddad, comprou briga com o atual modelo do vestibular e propôs mudar tudo nas seleções da universidades federais. A discussão ainda está longe de acabar, e, por enquanto, tudo está em suspenso nas coordenações de concursos pelo país. Mas as provas do novo modelo, chamado de Sistema de Seleção Unificada, já têm data marcada: serão em 3 e 4 de outubro, um fim de semana.
O que você acha da proposta do MEC de substituir o vestibular das univesidades federais pelo Enem?
A ideia do MEC é que o teste, nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), selecione os candidatos das federais que decidam aderir ao novo formato. Os estudantes poderão optar por cinco cursos de uma ou até cinco universidades, que terão o direito de escolher as notas de corte para os cursos e poderão realizar uma segunda etapa. Caso a nota do exame não seja suficiente para garantir vaga nas opções iniciais, os candidatos terão liberdade para fazer novas escolhas. (Leia mais: Modelo de vestibular parecido, outra realidade)
" Prova exigirá raciocínio e reflexão (Fernando Haddad) "
O resultado da parte objetiva do exame está previsto para 4 de dezembro; o final, incluindo a redação, para o dia 8 de janeiro de 2010. As datas farão com que as universidades participantes alterem de forma drástica o seu cronograma de provas, o que preocupou diversos reitores presentes numa reunião com o MEC, na semana passada. A maioria é favorável à mudança, que ainda terá de ser aprovada pelos conselhos universitários de cada instituição antes de ser adotada. (Saiba também: O nosso vestibular, em linhas gerais)
Principais atingidos pela mudança, os vestibulandos foram, mais do que nunca, tomados pelas dúvidas. Para tentar esclarecer algumas delas, a Megazine pediu que alunos de dois colégios do Rio fizessem perguntas, que foram respondidas por Haddad. Veja abaixo o que disse o ministro.
Quais serão, na prática, as mudanças feitas para que o Enem substitua o vestibular? (André Namitala)
FERNANDO HADDAD: O novo Enem terá 200 questões, sendo 50 de cada área: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias, além de uma redação. O exame será aplicado nos dois dias de um fim de semana.
Jovens fazem perguntas ao Ministro da educação sobre novo sistema de vestibular.
Quais serão os conteúdos abordados na prova, uma vez que cada parte do país privilegia determinados aspectos das disciplinas? (Mariana Sepúlveda)
HADDAD: Os conteúdos serão os mesmos já abordados no ensino médio, que vão exigir raciocínio e reflexão com o enfoque interdisciplinar e contextualizado típico do Enem. Não mais haverá a cobrança de conteúdos específicos e fórmulas. (Leia também: Novo Enem também poderá ser usado por particulares)
Quantas vezes por ano o exame será realizado? (Maurício de Souza)
HADDAD: Num primeiro momento, o MEC está pensando em realizar a prova uma ou duas vezes ao ano. (Veja também: MEC propõe mudança para outubro)
Quanto custará a inscrição? Ela será cobrada cada vez que fizermos a prova? Ou haverá uma taxa única? (Carolina Lupe)
HADDAD: A inscrição terá o mesmo valor do Enem 2008, que foi de R$ 35 - lembrando que estão isentos do pagamento da taxa de inscrição alunos do terceiro ano do ensino médio de escolas públicas, estudantes que apresentem declaração de carência com atestado da escola e egressos, ou seja, pessoas que concluíram o ensino médio em anos anteriores e que não tiverem condições de pagar a taxa de inscrição, desde que preencham e assinem a declaração de carência impressa no verso da ficha. Para os outros casos, a taxa será cobrada a cada vez que o vestibulando se inscrever na prova. (Saiba mais: Haddad: 'Cursinho pré-vestibular é uma anomalia')
A aplicação de uma prova única para a seleção nas universidades federais não estaria favorecendo regiões do país com maior qualidade de ensino? Qual a proposta do governo para resolver esse problema? (Luiza Fernandes)
HADDAD: A mobilidade é uma das grandes vantagens oferecidas pelo novo formato do vestibular. O novo sistema oferece a oportunidade a mais estudantes de concorrer a mais vagas por todo o país. No mundo todo funciona dessa maneira. Para o MEC, grande parte dos alunos terá confirmada sua primeira opção de curso e instituição de ensino, que geralmente será na escola mais próxima do vestibulando. Além disso, com o Plano de Desenvolvimento da Educação, o MEC já está trabalhando para garantir educação de qualidade para os jovens de todo o país, diminuindo as desigualdades regionais.
Em relação às redações, devemos nos focar mais no modelo do atual Enem ou no que propõem, de forma geral, os vestibulares das universidades federais? (Maria Isabel Assis)
HADDAD: A redação do novo Enem deverá se manter no modelo do atual Enem.
Segundo o MEC, o vestibular não favorece candidatos que não têm condições financeiras de se deslocar pelo território brasileiro para fazer provas. Antes de adotar esse novo modelo, as universidades não deveriam reformar suas estruturas e alojamentos? (Patrícia Pimentel)
HADDAD: O índice de mobilidade dos vestibulandos no Brasil é muito pequeno. Estudos do MEC indicam que é de 0,04%, enquanto em países desenvolvidos chega a 20%. E, para garantir não só o acesso de jovens que saiam de suas cidades, mas também sua permanência, o MEC prevê aumentar verbas para ajudar a financiar moradia, alimentação e transporte aos alunos que necessitarem.
Como ficam as cotas nas universidades com esse novo processo seletivo? (Nicolli Luro)
HADDAD: A adoção de um sistema unificado não inviabiliza a adoção de mecanismos de ação afirmativa ou de outros processos alternativos de seleção de estudantes, como as avaliações seriadas oferecidas por algumas instituições.
Quais são as mudanças esperadas nas escolas públicas e privadas, que deverão se adaptar ao novo método de ingresso nas universidades? Qual a real intenção do governo ao adotar esse novo vestibular? (Lucas Nogueira e Gabriel Magnam)
HADDAD: O que o MEC pretende é contribuir para um ensino médio com mais conteúdo e menos decoreba, mais voltado para o conhecimento e a capacidade de compreensão e análise por parte dos estudantes. Livre das amarras de um vestibular que não apura o conhecimento, mas a capacidade de resposta dos candidatos.
Com uma primeira etapa unificada, a segunda terá um peso maior na seleção das universidade poderá ficar mais difícil. Sendo assim, a nova versão do exame vai, de fato, facilitar o acesso? (Rodrigo Mafra)
HADDAD: A grande novidade é que, depois de realizar o Enem, o candidato poderá simular sua classificação no Sistema de Seleção Unificada. Diariamente, durante o tempo que as inscrições estiverem abertas, essa simulação será atualizada na internet, com base nas inscrições dos demais candidatos. Com o modelo atual de vestibular, muitos jovens de baixa renda nem sequer conseguem prestar o exame ou o fazem apenas em uma ou duas instituições, porque não têm como bancar os custos de deslocamento. Com o exame nacional, passam a disputar o total de vagas disponíveis. E terão que se deslocar apenas em situações especiais. Portanto, o aluno de baixa renda teria que se deslocar eventualmente, mas com uma perspectiva concreta de aprovação.
O senhor não concorda que, neste momento de crise, o dinheiro público que será gasto para pagar às universidades federais o valor atribuído às inscrições deveria ser aplicado na melhoria do ensino de base, elevando assim o nível do sistema como um todo? (Thainá Pinnola)
HADDAD: O Enem não é pago para a universidade. Os alunos de escolas públicas não pagam o Enem. Os que pagam têm uma tarifa muito pequena, de R$ 35, e esse recurso será empregado no custo da prova. Isso não guarda relação com a melhoria da qualidade. Isso está sendo feito por meio de outros projetos e programas que têm esse objetivo, como é o caso do Reuni.
Essa medida não poderia ser proposta para o próximo ano, já que os colégios não tiveram tempo de se preparar para tais modificações? (Daniela Rodrigues)
HADDAD: O MEC entende que não há necessidade de mudança de preparação para o novo Enem. Quem está preparado para o vestibular, em tese, está preparado para essa nova prova.
Como será a segunda etapa nas universidades? (João Guilherme Coelho)
HADDAD: Cada universidade aplicará a seleção de acordo com regras próprias, decididas por seus conselhos superiores. Outra novidade é a possibilidade de ponderação dos pesos de cada prova. Assim, as universidades que resolvam aderir podem optar ou não por realizar uma segunda fase, ou apenas realizá-la para os cursos mais concorridos e aqueles que necessitem de provas específicas.
essa matéria foi retirada do saite do globo 14/04/2009.
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