segunda-feira, 23 de março de 2009





Em 1987, os palestinos atacam Israel em uma revolta popular chamada "Intifada" ou "levante", em árabe. Munidos de armas simples, como paus e pedras, partem para cima dos israelenses, e também acabam sendo responsáveis por uma onda de atentados mais graves contra os judeus. Na tentativa de amenizar o conflito, Israel se compromete, em um encontro em Oslo, na Noruega, em 1993, a devolver os territórios ocupados em 1967 em troca de um acordo de paz definitivo. Desocupa algumas cidades em Gaza, dá autonomia aos palestinos, mas mantém boicotes. Em 2000, Israel oferece soberania sobre certas áreas de Jerusalém, o que é rejeitado pelo líder palestino à época, Iasser Arafat, que queria soberania plena nos locais sagrados da cidade. Israel recusa a proposta. Os palestinos dão início à segunda Intifada.


Em 2002, Israel começa a construção de um muro de separação entre as duas áreas, afim de evitar a entrada de terroristas palestinos. O Muro da Vergonha, como ficou conhecido na região, foi acusado pelo árabes de ser uma tentativa de anexação de território. No ano seguinte, forças israelenses tomam Arafat de refém na Muqata (QG da autoridade palestina), após uma onda de ataques terroristas em Israel. O líder fica confinado até sua morte em 2004. Em 2005, entra em cena Mahmoud Abbas, do partido Fatah, eleito novo líder da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Acusado de corrupção, contribui para que seu partido perca as eleições, levando ao poder o movimento rival Hamas que, acusado de terrorismo, gera a imposição de um boicote financeiro pela comunidade internacional sobre a ANP, o que detona uma série de crises internas.

Atualmente, o Fatah e o Hamas estão unidos em torno de um governo de coalizão e Israel não tem tratado com o governo palestino. O Hamas não reconhece o Estado de Israel, não aceita os acordos firmados até agora e se recusa a renunciar à violência, o que impede o fim do bloqueio internacional. Durante a ano de 2008, atentados e ataques dos dois lados agravam a crise e o líder palestino chegar a clamar às autoridades envolvidas no processo de paz que ajudem a resolver a questão ainda no mesmo ano. Por intermédio do Egito, uma trégua é acertada no mês de junho, cujos termos, nenhum dos lados cumpre literalmente. Em 4 de novembro, com a eleição nos EUA, Israel bombadeia um túnel em Gaza que seria supostamente usado pelo Hamas para o sequestro de soldados. Com o término oficial do período de trégua, em 19 de dezembro, Israel começa a operação militar em Gaza, pouco mais de uma semana depois.

O conflito já matou mais de 600 palestinos, na sua maioria civis, entre os quais, um terço é formado por crianças. No mundo inteiro, mais de 20 países já fizeram protestos contra os ataques e a comunidade internacional anda com maus olhos contra os israelenses devido a desproporção de armamentos entre os dois lados. A Cruz Vermelha acusa Israel de impedir a entrada de ajuda humanitária, a ONU também acusa o país de bombadear seus prédios, incluindo escolas, onde várias crianças foram mortas. Reações mais inflamadas percorrem o mundo em oposição a Israel, como a expulsão do embaixador israelense em Caracas, na Venezuela, e a acusação de nazismo em nota divulgada pelo PT, nesta quarta-feira, cuja crítica foi rebatida prontamento pelo ministro de Assuntos Sociais de Israel, Isaac Herzog, declarando que o PT desconhece a história.

Se a declaração é infundada ou não, o fato é que Israel usa insistentemente o argumento do desconhecimento histórico a seu favor para justificar as iniciativas e domínio bélicos na região, devidamente respaldados por ajuda internacional, principalmente, norte-americana. No entanto, o que salta aos olhos do mundo não requer doutorado em história para compreender que se trata de um conflito exagerado e desproporcional quando um lado conta com a força humana de indivíduos dispostos a se matar, em nome do fanatismo religioso, munidos de foguetes velhos e armas comuns, contra uma nação superpoderosa que não poupa os armamentos de última geração contra alvos civis. Se Israel é vítima histórica ou não, a mesma história decidirá num futuro próximo. Por enquanto, o que fica é uma inundação de sangue palestino por sobre alguns arranhões em Israel.

E o Babel se junta ao protesto do jornalista Wander Veroni, do Café com Notícias, contra o genocídio na faixa de Gaza. Basta divulgar o selo abaixo para aderir ao movimento e fazer repercutir a indignação contra os episódios recentes. Divulgue e dê a sua opinião!

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