LONDRES - O aumento de dióxido de carbono na atmosfera acelerou no ano passado em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Os novos dados, divulgados nesta quarta-feira à Reuters, podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem reduzir a concentração de CO2.
- Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados - disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números. - Se a mudança nas emissões for apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera - disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.
Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos pode cair cerca de 2%neste ano, estimam alguns analistas. Mas as emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.
O nível de dióxido de carbono atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA. Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.
A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou o cientista, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.
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